A esofagite eosinofílica é uma doença crónica, mediada por sistemas imunes ao nível do esófago, caracterizada clinicamente por sintomas relacionados com disfunção do esófago e histologicamente por inflamação com predomínio de eosinófilos.
Simplificando, é uma reação imune do nosso corpo (uma espécie de alergia) a alguns alimentos, mediada por um tipo de glóbulos brancos (os eosinófilos) que pode provocar vários sintomas e alterações a nível do esófago.

A esofagite eosinofílica é um tipo muito específico de alergia alimentar, confinada exclusivamente ao esófago. Mas sabemos que os doentes com esta doença têm maior probabilidade de desenvolver alergias alimentares “clássicas” e mesmo anafilaxia a alguns alimentos.
É uma doença de crescente reconhecimento. Os primeiros casos descritos datam das décadas de 60 e 70, mas inicialmente nem foram descritos como sendo esofagite eosinofílica. Esta doença foi finalmente descrita apenas em 1990 e desde então temos aumentado muito o conhecimento sobre ela, mas ainda tempos muitas questões em aberto.

Tudo aponta que sim. Apesar de haver algum viés pelo facto de agora se diagnosticar mais porque os médicos estão mais atentos a esta patologia, todos os estudos têm sido consistentes em afirmar que a incidência da doença está a aumentar, assim como outras doenças do foro alérgico.
Atualmente a incidência desta doença é de cerca de 1 a 20 novos casos por 100.000 habitantes e a prevalência entre 13 a 49 casos por 100.000 habitantes, aproximadamente os mesmos números das doenças inflamatórias do intestino como a Colite Ulcerosa e a Doença de Crohn.
Neste momento é a segunda doença esofágica mais frequente, apenas ultrapassada pela Doença do Refluxo Gastroesofágico.
De longe as pessoas mais afetadas são crianças e jovens adultos do sexo masculino, especialmente os que apresentam alguma história de atopia (alergias) prévia como a asma, o eczema atópico ou a rinite alérgica (presentes em cerca de 60 % dos casos).
Sim e não! Os critérios de diagnóstico são relativamente simples de aplicar, mas para se diagnosticar esta doença temos de pensar nela e fazer os exames necessários para a diagnosticar corretamente, sendo que a realização de uma endoscopia digestiva alta com biopsias do esófago é fundamental.

Sim!
Os critérios atuais obrigam que seja efetuada uma contagem dos eosinófilos nas biopsias do esófago e isso só se consegue através de
endoscopia. Há alguns métodos em estudo para tentar prescindir a endoscopia, mas ainda são largamente experimentais.
O sintoma mais comum é a disfagia (dificuldade na deglutição) de alimentos sólidos.
Outros sintomas menos frequentes são o impacto alimentar (comida presa no esófago), dor torácica e alguns doentes apresentam sintomas em comum com a doença do refluxo gastroesofágico como azia e regurgitação alimentar.
Infelizmente não é assim tão simples…
A esofagite eosinofílica é uma doença progressiva, associada a sintomas persistentes se não tratada e com possibilidade de complicações sérias como estenoses (apertos) no esófago.
É uma doença também com impacto na vida social, impedindo os portadores desta doença duma vida social “ativa” pelas limitações que a doença impõe.
Este é um campo em evolução permanente e ainda não sabemos bem qual é o melhor caminho a seguir. As opções terapêuticas são as seguintes:
A escolha do tratamento deve ser sempre tomada em conjunto entre o médico e o doente, sendo que este último tem de compreender os benefícios e desvantagens de cada abordagem.


É uma doença com claro componente genético, com aumento da probabilidade de ter a doença se tiver um familiar em 1º grau com a mesma.
Aparentemente não. Apesar de inicialmente se ter pensado que podiam ter uma base comum, são doenças distintas e ter uma não aumenta a probabilidade de ter outra.
Até à data, parece que não há aumento do cancro do esófago nos doentes com esofagite eosinofílica.
Infelizmente todos os fármacos inovadores que foram testados nesta doença não apresentaram resultados suficientes para a sua comercialização.
Há papel para alguns imunomoduladores como a azatioprina, mas apenas em casos muito selecionados.
Não!
E em boa verdade não são clinicamente úteis em nenhuma circunstância. Salvo algumas exceções (lactose e frutose) não há nenhum teste que nos permita conhecer as intolerâncias alimentares das pessoas. Aqueles testes medem as IgGs específicas aos alimentos que apenas significa que o nosso corpo teve contacto com os mesmos e não se é intolerante.
E intolerâncias alimentares e alergias alimentares são duas entidades muito distintas.